A vida não pode esperar – Brasil segue atrás de 50 países na vacinação contra a Covid-19

No dia em que o Brasil volta a registrar mais de mil mortes em 24 horas, na terça-feira (5/01), o presidente Bolsonaro afirmou que o “país está quebrado e eu não consigo fazer nada”. Enquanto pelo menos 50 países em todo o mundo já começaram a imunização contra a Covid-19, com mais de 14,5 milhões de pessoas vacinadas, o Brasil segue atrasado.

Há demora em fechar acordo com os fabricantes e ainda não existe uma definição clara sobre o processo de vacinação no país. A desorganização é tamanha que pode não ter seringas e agulhas suficientes para a imunização da população. O Ministério da Saúde fracassou na tentativa de compra destes produtos recentemente, depois de ter deixado para última hora.

Soma-se a todos esses fatores a morosidade da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em analisar dados dos laboratórios sobre segurança e eficácia dos imunizantes. Além de militarizar o comando do Ministério da Saúde, hoje faz parte da direção da Agência o tenente-coronel Jorge Luiz Kormann, que se diz contrário às recomendações da OMS e faz críticas à Coronavac.

O governo federal continua inócuo e, em vez de reagir, o presidente genocida Bolsonaro permanece negando a pandemia e a ciência, minimiza a necessidade de vacinação, coloca a eficácia de imunizantes em dúvida, afirma não ter “pressa” em comprar vacinas e estimula aglomerações, como fez no primeiro dia do ano, ao pular no mar em uma praia do litoral paulista.

Falta bom senso, competência e planejamento. Nesta terça-feira, além de falar que o Brasil está quebrado, o presidente lavou as mãos e, como de costume, culpou a imprensa – “essa mídia sem caráter que nós temos aí potencializa os efeitos do coronavírus e faz um trabalho incessante”, segundo ele para desgastá-lo.

O cenário para o Brasil no início deste ano é, portanto, desalentador e nesta semana alcança 200 mil mortos. A segunda onda da pandemia, sendo que nem chegamos a sair da primeira, avança desde o mês de novembro com a maioria dos estados apresentando rápido crescimento no número de novos casos e óbitos por coronavírus.

De acordo com levantamento do consórcio de veículos de imprensa divulgado ontem, sete estados apresentaram alta na média móvel de mortes: AC, AM, PA, RR, TO, RN e SE. Tudo indica que ainda haverá um crescimento significativo de contaminação, internações e mortes nas próximas semanas devido as aglomerações nas festas de fim de ano.

Em dezembro, a Plenária Nacional da FASUBRA aprovou a campanha “Vacinação Geral Já” contra a necropolítica de Bolsonaro e pela vida de todos e todas. Além disso, a FASUBRA decidiu intensificar a luta pelo adiamento do Enem e para que o retorno às aulas presenciais seja somente após a vacina e com garantias totais de segurança e higiene. Dentre outras lutas, também foi definido o fortalecimento de um fórum dos Hospitais Universitários para a proteção da vida dos profissionais da saúde na linha de frente no combate à Covid-19. Fora Bolsonaro e Mourão!

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Foto e texto: Fasubra

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