Movimento Negro denuncia racismo em Santa Maria

O domingo (7) registrou atos antifascismo e contra o racismo em diversas cidades do país. Em Santa Maria, não foi diferente. Entidades do movimento negro na cidade, organizaram um ato, na Praça Saldanha Marinho, com o intuito de denunciar o racismo estrutural e a negligência do Estado frente a morte massiva da população negra durante a pandemia.

O estudante de ciências sociais e um dos organizadores do manifesto, Gustavo Rocha, o Afroguga, contou que a motivação de ir às ruas, neste momento é escancarar essa discussão na cidade. “Trazer essa discussão do ato para a cidade é mostrar que Santa Maria tem um movimento negro proativo. Por mais que estejamos passando por essa crise que é nova, a população negra é a maioria em situação de rua; nas comunidades periféricas onde o Estado não chega; a população negra está nos serviços essenciais; é maioria como trabalhadora do lar… ou seja, a população negra está nas ruas. A morte de Floyd, por um policial branco e racista foi o estopim para mostrar que a gente não tolera mais esse racismo institucional e estrutural”, enfatiza.

Nacionalmente, o movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) surgiu em 2013, pela iniciativa de três mulheres negras ativistas, que denunciavam a violência policial de jovens negras e negros nos Estados Unidos. O movimento ganhou força e evidenciou que a luta contra o racismo é internacional.

Em entrevista na live sindical (ver aqui), o Afroguga enfatizou que a luta é por justiça e apesar do medo e da preocupação com as medidas de segurança e contenção do vírus, orientadas pela OMS, o medo que o racismo incute na psique das pessoas negras ainda é maior.

“Nós ficamos muito atentos as medidas de segurança porque, é claro, nós temos medo de acabar disseminando o vírus entre os nossos. Mas o medo do racismo é maior. Esse medo de ser abordado na rua; esse medo de você levar um tiro por engano; esse medo de você deixar de ter acesso a um posto de saúde pela tua cor… esse medo do racismo, permeia as nossas vidas e a nossa psique. Então esse medo faz com que a gente se coloque na rua não só pelas nossas vidas, mas também por todos e todas aquelas que não podem estar aqui, no lugar que eu estou. É gritar também por todas essas vidas que não podem ter suas vozes ativas”, explica.

Durante sua fala, Gustavo filiou-se a Angela na sábia lição “em uma sociedade racista, não basta não ser racista é necessário ser antirracista na prática” e destacou que o que é efetivo na luta antirracista é o reconhecimento da branquitude que o racismo é um sistema criado por pessoas brancas.

“Nós podemos ampliar esse debate consumindo o trabalho de pessoas negras, nos envolvendo com pessoas negras. Lutando por políticas públicas, lutando nas urnas e cedendo o espaço para pessoas negras, porque é muito importante que pessoas negras estejam nesses espaços de poder e liderança”, comenta. “O racismo não é um problema nosso, o racismo é um problema de pessoas brancas. A branquitude que construiu esse racismo, essa supremacia racial. Então para lutar contra, nós precisamos de pessoas brancas aliadas porque nós não vamos conseguir enfrentar o racismo sozinhos e sozinhas”, finaliza Afroguga.

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