31 de março é o Dia Internacional da Visibilidade Trans, a data foi proposta pela ativista trans estadunidense Rachel Crandall, em 2009. Crandall é uma psicoterapeuta e ativista transgênero americana. Desde sua criação, a data se tornou um momento de luta e reflexão sobre os direitos de pessoas transgêneras.
De acordo com o Dossiê de assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras, publicado em janeiro deste ano pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), em 2025 foram assassinadas 80 pessoas trans e travestis no Brasil. Além disso, 77 assassinatos foram contra travestis e mulheres trans/transexuais e 70 contra pessoas negras e pardas (veja mais aqui).
Outro dado alarmante mostra que travestis e mulheres trans são o alvo preferencial e recorrente de Crimes Violentos Letais Intencionais. O dossiê também mostra que a maior parte das vítimas tinha entre 13 e 29 anos, e as chances de uma pessoa trans jovem nessa faixa ser assassinada, em média, chega a ser 5 vezes maior do que em outras faixas etárias.
Aspectos como estes mostram a importância do debate acerca dos direitos e da visibilidade da Comunidade Trans em diferentes esferas da sociedade brasileira. Entretanto, esta não é a realidade observada, mesmo com diversos avanços nos últimos anos a população ainda enfrenta a invisibilidade em diversos setores como na esfera pública e na mídia. Isso se dá pelo fato de que, na maioria das vezes, o debate é feito de forma escassa e precária e não promove o enfrentamento efetivo da transfobia.
Um exemplo desta realidade foi o caso da deputada Fabiana Bolsonaro (PL), no dia 18 de março. Durante seu discurso, a deputada realizou a prática de Black Face para tratar de temas transfóbicos alegando que mulheres trans não entendem as pautas femininas. A fala preconceituosa foi destinada à deputada Erika Hilton (Psol) após ser nomeada para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Erika Hilton é a primeira Deputada Federal negra e trans eleita na história do Brasil e atua ativamente na defesa de causas trans e feministas.
Por conta disso, se torna imprescindível o debate e a valorização da visibilidade trans em diversos setores, como na saúde, segurança e educação. Estes como forma de garantir o acesso a direitos básicos, o respeito à identidade de gênero e a construção de políticas públicas que promovam inclusão, equidade e dignidade para toda a população trans.


