O Comando Local de Greve (CLG) realizou, na manhã desta quinta-feira (23), mais uma reunião no lonão da greve, marcando o 60º dia de paralisação da categoria.
Entre os principais pontos da pauta, esteve o início da construção de uma linha do tempo da carreira, com o objetivo de resgatar a trajetória histórica das conquistas da categoria. A retomada desses marcos históricos, no contexto atual da greve, reforça a importância da memória coletiva como ferramenta de organização e fortalecimento da luta. A iniciativa busca sistematizar a memória da luta dos(as) técnico-administrativos, contribuindo para a formação política da categoria e o fortalecimento da mobilização atual.
Durante o debate, as informações foram compartilhadas pela TAE Tânia Maria Flores e pela Coordenadora Geral da Assufsm e da FASUBRALoiva Chansis, que possuem amplo conhecimento sobre a trajetória da categoria. A partir de suas contribuições, foram lembrados marcos importantes da trajetória de luta dos técnico-administrativos em educação, desde 1984, ano em que foi deflagrada a primeira e uma das mais longas greves da história.
Na sequência, foi destacado o ano de 1985 com a mobilização “Diretas Já” e a Greve Nacional de 1986, que teve como eixo central a luta pela isonomia salarial entre docentes e técnico-administrativos das universidades autárquicas federais, no contexto da reforma universitária. Na Universidade Federal de Santa Maria, cerca de 80% dos servidores aderiram à paralisação, reivindicando a equiparação salarial com as fundações, a implantação de um plano de cargos e a definição de funções para todos os serviços da universidade. O movimento ganhou ainda mais força com a adesão de estudantes, que, junto aos trabalhadores, realizaram atos como o trancamento da entrada do campus, pressionando a reitoria por posicionamento frente às demandas apresentadas.
Outro marco fundamental destacado foi o ano de 1987, com a conquista do primeiro plano de carreira da categoria, por meio do Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos (PUCRCE), instituído pela Lei nº 7.596/87. Resultado de uma intensa mobilização nacional, com participação ativa da FASUBRA, o PUCRCE representou a consolidação da luta pela isonomia e estabeleceu uma nova concepção de carreira nas universidades públicas federais. O plano estruturou de forma orgânica as relações de trabalho, promoveu a unificação de direitos e benefícios e organizou os técnico-administrativos em mais de 350 cargos, além de prever mecanismos de ascensão funcional e valorização dos servidores.
Já em 1990, com a implementação do Regime Jurídico Único (RJU), os técnico-administrativos permaneceram vinculados ao PUCRCE, porém passaram a integrar a estrutura salarial do Plano de Classificação de Cargos (PCC), vinculada à tabela geral do Poder Executivo. Esse processo foi apresentado pelo governo como parte da isonomia no serviço público federal, mas também trouxe impactos significativos, como a extinção de subgrupos nos níveis de apoio e intermediário e a proibição de concursos internos.
Ao longo da década de 1990, a categoria seguiu mobilizada em defesa da carreira, enfrentando um processo de desestruturação do PUCRCE, ao mesmo tempo em que acumulava debates, resistências e propostas que contribuíram para novos avanços nos anos 2000.
Na sexta-feira (24), o Comando Local de Greve pretende seguir com a construção da linha do tempo da carreira.
TAE, participe e fortaleça a greve da categoria!



