53º dia de greve: Roda de conversa debate sobre democratização na UFSM

Na manhã de quinta-feira (16), o Comando Local de Greve esteve reunido no Auditório do prédio 74C, para debater sobre a “Democracia na UFSM: em que pé estamos”. Na mesa de debates, pela Assufsm estavam as Coordenadoras Gerais Loiva Chansis e Gabriela Malaquias e a Coordenadora de Comunicação Natália San Martin. Além disso, pela Sedufsm estava o presidente, professor Everton Picolotto, e, representando o Sinasefe, participou uma das Coordenadoras Gerais e professora do Politécnico Cláudia do Amaral. Cada componente da mesa apresentou sua análise sobre a democracia vivida dentro e fora do arco da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Representando o Sinasefe, Cláudia do Amaral abriu as falas trazendo elementos do debate no âmbito do Politécnico, destacando os temas que têm mobilizado a categoria e a forma como a entidade se posiciona em defesa da democracia na UFSM. Sua intervenção apontou para a necessidade de fortalecer os espaços coletivos e ampliar a participação efetiva dos diferentes segmentos da universidade nos processos decisórios.

Na sequência, Everton Picolotto ressaltou a insuficiência de recursos destinados à permanência estudantil, evidenciando como essa limitação impacta diretamente o acesso e a continuidade dos estudantes na universidade. Também chamou atenção para as desigualdades de gênero e de poder dentro da UFSM: embora haja presença significativa de mulheres na instituição, essa maioria não se reflete nos cargos de chefia e direção. Em seis décadas de história, apenas uma mulher ocupou o cargo de reitora, com predominância de homens brancos nos espaços mais altos de decisão. Everton também destacou a concentração de poder em determinados centros de ensino, sendo o CCS que esteve há mais de 40 anos a frente da reitoria da UFSM, seguido do CT com mais de 20 anos, com professores reitories, apontando a desigualdade interna e reforçando a crítica de que, mesmo sendo um espaço de formação, a universidade reproduz lógicas desiguais, onde quem detém mais recursos tende a concentrar ainda mais.

Loiva Chansis problematizou a ideia de democratização tratada de forma isolada, defendendo que a democracia está diretamente ligada à estrutura como um todo, e às relações de poder dentro da universidade. Segundo ela, é fundamental ampliar o debate sobre orçamento com toda a comunidade acadêmica. Também destacou que as mulheres, embora maioria na força de trabalho, seguem afastadas dos espaços reais de poder, em grande parte devido à sobrecarga das múltiplas jornadas. Para a dirigente, é necessário transformar as relações dentro dos centros e conselhos universitários, sobretudo diante das mudanças nos processos de escolha das reitorias, garantindo protagonismo não apenas aos docentes, mas também aos Técnicos Administrativos(as) em Educação em projetos de pesquisa e extensão na UFSM.

Gabriela Malaquias reforçou que a universidade se sustenta a partir de um tripé formado por Técnicos Administrativos(as) em Educação, docentes e estudantes, mas alertou que muitos ainda desconhecem como funcionam os processos internos de decisão. Esse distanciamento contribui para o esvaziamento de espaços coletivos, como comissões e grupos de trabalho, além de dificultar a mobilização das categorias. Ela também destacou a importância de revisitar as políticas de permanência estudantil e refletir sobre o quanto a democratização tem, de fato, alcançado os estudantes.

Natália San Martin trouxe a perspectiva da luta coletiva e da importância da representatividade. Apesar de a UFSM possuir uma política de igualdade de gênero, ela avaliou que o debate ainda é incipiente e precisa ser aprofundado. Defendeu a construção de mecanismos como o orçamento participativo e ressaltou a importância de valorizar os aposentados que protagonizaram lutas históricas da categoria, responsáveis por conquistas como avanços na carreira e melhorias salariais. Para ela, a democracia na educação exige а reinvenção e enfrentamento das desigualdades, especialmente no que se refere às questões de gênero.

No espaço aberto, as falas reforçaram a importância da participação de todos os segmentos da UFSM nos debates institucionais. Também foram levantadas reflexões sobre a formação dos estudantes da educação básica e sua preparação para o ingresso no ensino público, além de críticas à lógica que reduz a educação a indicadores numéricos. Questionou-se ainda a função social do conhecimento produzido na universidade e a necessidade de fortalecer o diálogo direto com os estudantes, inclusive sobre temas como a reforma administrativa, que há anos impacta especialmente trabalhadores terceirizados, frequentemente submetidos à precarização.

Outro ponto destacado foi a necessidade de retomar espaços permanentes de debate entre as categorias da educação, diante de um cenário de intensificação do trabalho que dificulta a participação coletiva. Também se reforçou a crítica à terceirização e às relações de trabalho que fragilizam direitos dentro da universidade.

Como encaminhamento, foi indicada a reabertura do fórum de debates sobre educação em Santa Maria, articulando diferentes segmentos e instituições de dentro e de fora da UFSM, com o objetivo de aprofundar a discussão sobre a democratização nas instituições federais de ensino superior e fortalecer a construção coletiva de propostas para a área.

Veja as fotos da roda de conversa, clicando aqui.

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